Sobre liberdade

Estranho como te aprisionam de maneiras sutis. E as consequências que a gente só percebe quando se dedica ao autoconhecimento. (Ando a buscar respostas no passado para libertar o futuro que ainda falta pra ser vivido.)

Calaram minha voz – e hoje eu berro ao invés de falar.

Contiveram meus passos, meus movimentos – e hoje vivo tonta e sem consciência corporal alguma.

Ignoraram minhas asas me restringindo ao chão – e hoje tenho fobia de alturas.

Me enquadraram em modelos e padrões – e hoje em nenhum grupo caibo exatamente.

Obrigada a reproduzir ideias sensatas e adequadas – hoje não sei expressar as minhas com equilíbrio.

Bem condicionada à minha inferioridade através de palmadas, castigos e críticas – hoje sou impulsivamente reativa nas respostas.

Nunca validaram ou apoiaram a minha individualidade, minha singularidade. Hoje peço desculpas por ser quem sou.

Passei da infância à idade adulta sendo contida, cerceada, limitada. Logo quem? Eu que não entro em caixa direito. Conseguiram, por todos esses anos, me fazer sentir sempre culpada por questionar correntes e muros. Eu permiti.

Meu trabalho então foi o de ir me impulsionando à frente, com os pesos extras nas costas, tentando me desviar de armadilhas e prisões sempre que possível. Talvez eu pudesse ter sido genial. Consegui ser apenas mediana. Mas vivo sem arrependimentos ou mágoas porque, certeza, não houve quem de verdade apagasse essa minha chama, que ainda continua acesa.

Agora, como ainda há tempo, sigo a vida com um trunfo: nada pode parar uma mulher desperta!

Por isso, já estou eu aqui: pronta para um novo voo.

Passo 1: abrir minhas asas
Passo 2: dar impulso
Passo 3: partir

Por Kátia Galvão

04 de abril de 2023

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